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A economia de Macau, afectada pela crise financeira global, sofreu uma diminuição de dois dígitos no primeiro semestre de 2009, e voltou a crescer no segundo semestre, beneficiando da recuperação económica do exterior. No ano 2009, o PIB de Macau foi estimado em MOP169,34 mil milhões, tendo-se elevado 1,3%1, em termos reais. Este acréscimo económico resultou dos crescimentos da exportação dos serviços, da despesa de consumo privativo e da despesa de consumo final do governo, assinalando crescimentos reais de 5,2%, 2,7% e 10,4%, respectivamente. A formação bruta de capital fixo (FBCF) contraiu-se -35,6%, em termos reais, verificando-se um crescimento negativo durante dois anos consecutivos. No que diz respeito às finanças públicas, a receita cifrou-se em MOP57,64 mil milhões, valor próximo de 2008, enquanto a despesa financeira teve um aumento de 18,5%, atingindo os MOP33,82 mil milhões. No ano de análise, o índice de preços no consumidor geral registou um incremento de 1,2%, havendo a registar que os índices de preços das secções “produtos alimentares e bebidas não alcoólicas” e “produtos e serviços diversos” subiram, respectivamente, 5,5% e 4,5%, em contrapartida, o da secção “habitação e combustíveis” diminuiu 1,2%. A população activa em 2009 totalizou 329 milhares de pessoas, a taxa de actividade foi de 72,0%, a taxa de desemprego correspondeu a 3,6%, isto é, mais 0,6 pontos percentuais em relação ao ano de 2008 e a mediana do rendimento mensal da população empregada dilatou-se 6,3%, cifrando-se em MOP8.500.
Relativamente ao comércio externo de mercadorias, em consequência da contracção económica global, as importações e exportações registaram uma forte desaceleração. O valor total das exportações domésticas alcançou MOP7,67 mil milhões, registando uma redução de 52,1%, especialmente o das principais exportações de têxteis e vestuário caiu notoriamente 73,0%, cifrando-se em MOP2,47 mil milhões. O valor total das mercadorias importadas registou um declínio de 14,2% para MOP36,9 mil milhões. Em termos de categorias de bens económicos, os bens de consumo e matérias-primas e produtos semi-transformados foram os principais produtos importados por Macau, cujo valor de importação perfez 69,2% do valor total importado. O défice da balança comercial foi de MOP 29,23 mil milhões. Os principais parceiros económicos da RAEM foram a China Continental, EUA, EU, Hong Kong e entre outros.
Embora se tenha registado um abrandamento económico, o comportamento do mercado a retalho local manteve-se um ritmo acelerado de crescimento, o volume total de negócios de 2009 registou um crescimento de 16,4%, alcançando MOP22,11 mil milhões, designadamente, os das secções “relógios e artigos de ourivesaria”, “armazéns e quinquilharias” e “vestuário para adultos” subiram 33,4%, 40,7% e 25,5%, respectivamente, alcançando MOP4,81 mil milhões, MOP3,34 mil milhões e MOP2,09 mil milhões; em contrapartida, o da secção “veículos” diminuiu 5,8% para MOP1,53 mil milhões.
No domínio da indústria de turismo, em 2009, o número de visitantes entrados em Macau desceu 5,1%, atingindo 21,75 milhões de indivíduos. Do total de visitantes chegados, 10,99 milhões de indivíduos foram provenientes do Interior da China, traduzindo uma atenuação de 5,4%. E aqueles que optaram por entrar em Macau com vistos individuais foram 4,81 milhões, representando uma queda substancial de 27%. No que se refere às actividades recreativas e serviços, as receitas brutas do jogo expandiram-se 9,6% para MOP120,38 mil milhões, isto é, simbolizam 71,1% do Produto Interno Bruto, enquanto o imposto sobre o jogo elevou-se 5,8%, alcançando MOP44,31 mil milhões, perfazendo 76,9% da receita de finanças públicas. O desenvolvimento do sector das convenções e exposições em Macau permaneceu estável. Efectuaram-se, em Macau, 1405 reuniões/conferências e 80 exposições, atingindo o número total de participantes os 135 mil e 526 mil, respectivamente.
Em 2009, o desenvolvimento no sector da construção de Macau apresentou um abrandamento. A área bruta de construção de edifícios aprovados e iniciados caiu acentuadamente 57,1%, totalizando 229 milhares de metros quadrados. No mercado de imóveis de Macau, no ano em análise, transaccionaram-se 11.546 fracções autónomas pelo valor total de MOP14,95 mil milhões, os quais correspondem, respectivamente, a variações de -1344 unidades e +4,1%. Quanto ao sector financeiro que apresentou um comportamento diferente, os lucros do segmento bancário subiram 8,3%, cifrando-se em MOP3,61 mil milhões. Os depósitos totais atingiram MOP306,76 mil milhões, registando um aumento 11,6%, enquanto os empréstimos totais cresceram 23,9% para MOP186,63 mil milhões. As actividades de seguros, em retracção, registaram um declínio nas receitas de 5,4% para MOP3,26 mil milhões.
Desde o início da implementação do Acordo CEPA em 2004, um conjunto de 1209 itens de mercadorias foram inscritas na lista de produtos de Macau importados para o mercado do Interior da China, com isenção de direitos aduaneiros (segundo o código tarifário do Interior da China de 2010). Até ao final de 2009, o valor total das exportações, no âmbito do Acordo, foi de MOP100 milhões, e a isenção de imposto de MOP8,379 milhões. Em relação ao comércio de serviços, foram emitidos 368 Certificados de Prestador de Serviços de Macau. De acordo com o Suplemento VI ao Acordo, a partir de 1 de Outubro de 2009, o Interior da China alargou as condições de acesso ao seu mercado para os seguintes sectores de serviços que já se encontram liberalizados: serviços jurídicos, construção, serviços médicos, imobiliário, contratação e colocação de pessoal, impressão, convenções e exposições, utilidade pública, telecomunicações, audiovisual, distribuição, actividade bancária, corretagem de títulos financeiros, turismo, recreativo e cultural, transportes marítimos, transportes aéreos e constituição de estabelecimentos industriais e comerciais em nome individual, bem como acrescentou uma área ao sector de serviços de investigação e desenvolvimento, totalizando 41 sectores de serviços liberalizados no âmbito do comércio de serviços. O CEPA é um acordo aberto que dispõe de um mecanismo de consultas entre as partes, para o alargamento contínuo de liberalização que visa o desenvolvimento e a cooperação comum das partes, na área económica e comercial.
1 Salvo indicação em contrário, as variações mencionadas no texto referem-se às de 2009, em relação ao período homólogo de 2008.
Fontes: Direcção dos Serviços de Estatística e Censos, Autoridade Monetária de Macau e Direcção dos Serviços de Economia.
Última Actualização: 2010-06-09
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